Trying To Get Back On My Feet

Domingo e Segunda foram dias complicados. Passei-os à base de Rivotril e chocolate. Dormi muito, comi muito, chorei muito e agora me encontro com novas linhas espalhadas pela barriga. Não sei qual foi o gatilho que me levou a isso, mas acho que não tem mais tanta importância. Já foi. Vida que segue.

Como esperado, meus resultados na Nutricionista foram todos positivos, mas antes, uma pequena observação. Olha que ironia da vida: eu sigo minha dieta o máximo possível, tentando ser regrada e fazer tudo direitinho, mas é o dia do meu retorno se aproximar que eu saio comendo o mundo tamanha é a minha ansiedade para ver as mudanças. Dessa vez não foi nem um pouco diferente. Enfim, continuando, meus resultados foram:

  • -3,0kg de massa gorda;
  • +0,3kg de massa magra; e
  • -3,4 de percentual de gordura.

Apesar do resultado ter sido bom segundo minha médica, confesso que estou bem insatisfeita. Vocês não fazem ideia da dificuldade que eu tenho em ganhar massa magra! Ainda mais que, como preciso perder muita gordura, não posso focar só nela. Ela vai apenas “seguindo o fluxo”. Por fim, perguntei à ela se era possível eu perder 5kg nos próximos dois meses, pois é o tempo que tenho até a minha viajem – fora que é a meta que eu tinha estipulado lá em Setembro. Como estagnei em Outubro, fiquei na duvida se essa meta era algo possível ou não de se conquistar, mas a Nutricionista negou e disse que me prescreverá sim uma dieta com esse objetivo. Me encontro agora animada e nervosa ao mesmo tempo. Não sei ainda se seguirei tudo certinho, exatamente como o programado, ou se farei pequenas alterações para eu melhor me adaptar à tal dieta. Assim que eu a receber – o que deverá acontecer em algum momento entre Quinta e Segunda – eu tiro essa dúvida e venho registrar aqui.

E, por último, gostaria de agradecer à todas que leram minha última postagem e deixaram comentários tão cheios de carinho e suporte. Vocês são maravilhosas e gostaria que soubessem disso. Muito obrigada, de verdade. Ainda não tive cabeça para responde-los, mas prometo o fazer nesse final de semana.

Com muito amor, Valentina.

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Writing In Silver

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Mais uma semana passou e mais uma vez eu falhei com a minha meta. Não sei direito o que pensar no momento. Eu deveria estar com o peso que estou hoje há um mês. Um mês! E agora já se passaram vinte e dois dias desde que Outubro começou e nada. Não perdi absolutamente nada nesses últimos sete dias, apenas mantive os meus vergonhosos 60,2kg. “Mas, V, pensa pelo lado bom: ao menos você não engordou”. Ok, falhe consigo mesma e tente pensar nessa linda frase para ver o quanto ela não significa nada.

Nessa Segunda eu irei retornar na minha Nutricionista, o que significa que eu deveria estar pesando 58,6kg. Ou seja, estou 1,6kg atrás do meu planejamento e isso está me corroendo. Mas eu não farei nova metas, me recuso à isso. Ao mesmo tempo, é desesperador pensar no efeito que a comida tem sobre mim. Como ela consegue, assim tão facilmente, me deixar tão desestabilizada ao ponto que desenhar em minha pele seja algo concebível? E sim, essa é a situação em que me encontro agora. Não foi meu primeiro corte e tenho certeza de que não será o último.

Meu novo hábito não é saudável e eu sei disso, então, por favor, não percam tempo tentando me alertar sobre ele. Eu tenho ciência do que estou fazendo, o que eu não tenho é o controle para seguir minha dieta; o controle para não deixar comentários externos me afetarem; o controle para não me machucar. Eu estou há um bom tempo nesse ciclo de tentar, falhar e me machucar. O que mudou é que, antes eu me machucava comendo ainda mais a cada falha, e agora eu recorro à lâminas. E não vou mentir, a sensação é boa. Muito boa. A ideia de não conseguir lidar com minhas falhas e sentir a necessidade de cortar minha pele me é sim absurda, mas, ao mesmo tempo, olhar as linhas vermelhas espalhadas pela minha barriga me dá uma sensação de controle indescritível. Saber que sou forte a esse ponto – ainda que eu saiba que foi por fraqueza que cheguei até aqui – é extremamente satisfatório.

Eu voltarei aqui após a consulta para registrar meus novos dados. Aliás, a possibilidade da minha médica ver meus cortes durante as medições está me preocupando, mas tentarei não pensar muito sobre isso até lá. Sei que meus resultados serão positivos, pois baixei meu peso desde a última vez em que a vi, no entanto, o fato de não ter chegando ao peso que eu queria me incomoda. Demais. Portanto, nesse final de semana, pela primeira vez não farei as minhas refeições livres como de costume. Não comerei fora e nem por delivery. Me manterei nas minhas refeições e, caso sinta necessidade – coisa que sei que sentirei -, comerei sobremesa. De resto, seguirei como o planejado. Espero ao menos atingir minha meta dos 59,9kg até a manhã de Segunda.

Com amor, Valentina.

Breathing Smoothly

Parece que, finalmente, as coisas estão voltando aos eixos.

Não vou dizer que essa semana eu estava 100% focada na minha alimentação, comendo exatamente o que eu deveria comer e nem uma caloria a mais, porque isso seria mentira. Mas, na medida do possível, me alimentei bem e, quando resolvi comer algo mais calórico, consegui não extrapolar. Nas duas vezes (Segunda e Quinta) em que a aquela vontade chatinha por algo a mais resolveu dar as caras, comi apenas o suficiente para saciar a vontade do momento e em seguida já voltei com a dieta. E, com relação aos exercícios, eu consegui render bem nesses últimos dias. Não só treinei pesado, como também tive pique para fazer um cardio forte após cada treino. Felizmente, essa combinação trouxe resultados.

O ideal para o mês de Outubro seria eu perder 3kg – dois programados para esse mês e um que ficou faltando de Setembro -, mas como não sei se três quilos é uma meta possível para a dieta que estou seguindo no momento, estipulei que apenas dois já me deixariam satisfeita. Portanto, fiz uma tabela com duas colunas: na primeira, o peso que deverei pesar ao final de cada semana para atingir a meta de 3kg; e na segunda, a mesma ideia, mas para 2kg. Hoje foi a primeira pesagem e não só ultrapassei a meta dos dois quilos, como também ultrapassei a dos três! Quase dei um grito de alegria ao descer da balança e ver meu resultado. Rs. Eu deveria hoje estar com no máximo 60,3kg, mas pesei 60,2kg! Foi apenas 100g de diferença, mas decidi que, se 100g a menos me deixam triste, 100g a mais me deixarão feliz. Então sim, estou comemorando essa pequena vitória.

E por último, mas não menos importante… Há cada um mês, mais ou menos, eu tiro fotos e medidas e anoto tudo em um caderno, vendo o quanto falta para eu atingir a meta de cada circunferência. A partir de hoje, irei compartilhar essas informações aqui. Então, vamos à elas!

Fotos e Medidas

 

1-setembro-outubro

Thigh gap, is that you?

Considerem as informações da seguinte forma: a primeira medida é a de hoje; a segunda é o quanto perdi ou ganhei nesse período entre as fotos; e a terceira é o quanto falta até minha meta final.

ALTURA: 158cm
PESO:
60,2kg (-1kg/11,7kg)
CINTURA: 72cm (-0,5cm/11cm)
ABDÔMEN: 87,5cm (-1,5cm/23,5cm)
QUADRIL: 100cm (-2cm/17cm)
COXA: 61cm (mantive/11cm)
BRAÇO: 29cm (mantive/4cm)
PEITO: 89,5cm (-1cm/5,5cm)

Acceptance

Sim, eu levei o meu final de semana da maneira que achei melhor. Preferi não me estressar com a pesagem que estava por vir e comi o que quis – felizmente, de uma forma bem controlada.

No Sábado, pedi um hambúrguer com suco de maracujá. Ao invés de comer a super porção de batatas fritas que vem com o prato, comi 15g de chips de batata doce que já tinha em casa – que são maravilhosas, por sinal – e, de sobremesa, quadro quadrinhos de chocolate 60% cacau. Ah, e eu não fui muito com a cara do cheddar que veio no lanche, então tirei o máximo que pude. Então, no Domingo, minha mãe fez uma receita de família que é um vício aqui em casa. É um prato formado por camadas, sendo elas: arroz branco, carne picada, um creme a base de creme de leite, queijo muçarela – sim, se escreve com “ç” – e batata palha. Imagina uma coisa dessas após retirada do forno?! Gente, é bom demais! E sim, eu comi. E ainda rolou aquele chocolate 60% cacau de sobremesa.

Comi bastante esse final de semana? Sim e não. Sim, porque obviamente comi além das minhas calorias prescritas; e não, porque comi tudo controladamente. Para confirmar esse controle, o sentimento de culpa não deu as caras. Chegou Segunda e fui me pesar. Foi um misto de vitória e derrota. Não consegui atingir minha meta – e, mais uma vez, lá fui eu refazer meus cálculos para tentar encaixá-la ainda esse mês -, mas meu peso baixou em comparação ao de Sexta, o que provou que eu estava realmente inchada por causa da M.

Para quem gosta de dados, deixo os meus: minha meta foi adiada e deverei atingi-la no final da semana que vem. Em parte estou triste, pois já era para eu ter entrado na dezena do cinco, mas vendo o contexto de duas semanas lidando com compulsões, fico feliz por meu peso ter variado em apenas meio quilo – se essas compulsões tivessem ocorrido há alguns meses, sei que o estrago teria sido bem maior. Estou agora com 61kg e planejo perder dois até o final do mês.

E como hoje é feriado, saí ontem com minhas amigas. Fizemos nosso programa favorito: bar e sorveteria. No primeiro, comi três pastéis e dois espetinhos e, no segundo, duas bolas de sorvete de creme com toppings de nutella, brigadeiro, power balls e morango. E sim, estava tão maravilhoso quanto soou. Rs! Essa foi a primeira refeição livre da semana e agora me manterei na linha até Sábado – dia da próxima pesagem.

Com amor, Valentina.

Is There Anybody Still Out There?

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Acho que posso dizer que, apesar dos pesares, estou um pouco melhor. Essa semana foi menos difícil – ou talvez eu tenha sido mais forte, não sei -, então decidi vir atualizar vocês sobre como as coisas têm andado por aqui.

Após a compulsão que tive no Domingo, consegui ficar bem na Segunda e na Terça. Na Quarta também, mas acho necessário me explicar um pouco para vocês entenderem melhor como funciona a minha dieta. Para evitar – ou ao menos tentar evitar – compulsões, eu tenho Quarta e Sábado como dias de escape. No primeiro, faço alguma refeição livre que seja pequena ou média (geralmente um croassaint integral e uma unidade de brownie); e no segundo, como algo médio ou grande (variando de sanduíches com algum doce até refeições que englobem entrada, prato principal e sobremesa). Assim sendo, nessa Quarta eu comi meio pacote de amendoim e duas trufas de limão. Como elas eram médias, não me importei por ter comido duas, apesar de que se tivesse apenas uma em casa eu também teria ficado satisfeita. Quinta passou com a dieta em dia e então Sexta chegou. Por saber que ontem seria o dia em que eu teria as duas provas mais difíceis, me liberei para fazer outra refeição pequena ou média, porque, conhecendo meu histórico de descontar frustações acadêmicas na comida, pensei que, me liberando nesse dia, minhas chances de não perder o controle seriam maiores. Felizmente, funcionou! Deixei para fazer meu desjejum na faculdade, antes da primeira prova, e comprei uma palha italiana para comer antes da segunda. E como meus professores são sádicos e curtem corrigir a prova na hora da entrega para aumentar nosso desespero, já recebi meus resultados. Apesar de toda angústia pré-provas, meus estudos valeram à pena e consegui passar com 9,6 e 10,0, respectivamente. Fiquei tão feliz que desisti do meu plano de passar na praça de alimentação e comprar algum doce para amenizar meu sofrimento. Até porque, depois dos meus resultados, estava tão feliz que voltei pra casa praticamente saltitando. Sabe, eu estava precisando de algo feliz em que me segurar.

Segunda está chegando e, como eu havia reprogramado, será o dia em que precisarei atingir a minha primeira grande meta. Por conta disso, fui me pesar hoje cedo para ver como fiquei após essa semana que foi melhorzinha e quase fiquei sem ar, pois meu peso aumentou consideravelmente! Eu vinha me sentindo maior, mas ter isso registrado ali, na balança, me deixou completamente desestabilizada. Contudo, depois de quase dois meses, a M decidiu aparecer ontem, então, talvez, quem sabe, eu esteja inchada por conta dela. Eu realmente não sei como os ciclos funcionam nem quando é que eu meu corpo voltará “ao normal”, ou se, por já ter menstruado, ele já está normal e o peso que a balança acusou é o meu peso atual. Portanto, se alguém souber e puder me ajudar, ficarei extremamente grata.

Agora eu tenho o final de semana pela frente e uma pesagem para fazer após ele – que data mais ingrata para se pesar. Não sei ainda se farei a refeição livre de hoje ou se me manterei na linha para não atrapalhar tanto a minha pesagem. De qualquer forma, Segunda volto aqui para contar como esses dias que estão por vir se desenrolaram.

E, por fim, queria dizer que estava com saudades daqui. Por mais que eu esteja quase que diariamente visitando vocês, senti falta de escrever.

Com amor, Valentina.

Please, October, Be Good To Me

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Como um dia ruim se transformou em uma semana ruim e, mais tarde, em duas semanas ruins, eu não sei dizer. Estou tentando racionalizar sobre algo que talvez não seja possível, mas como essa é a única maneira que sei lidar com dificuldades, continuo nesse caminho. No começo, achei que fosse apenas TPM. Depois de alguns dias, algum fator emocional – ansiedade, talvez, apesar de eu não ter conseguido relacionar esse sentimento com nada que esteja me ocorrendo por agora. Até que ontem ela finalmente resolveu chegar. Estava há alguns dias tentando ignorá-la, fingindo que nada estava acontecendo e que eram só vontades passageiras, mas no fundo eu sabia que era ela. Até comi, por uns cinco dias, algum doce ou salgado mais calórico e assim, na medida do possível, estava conseguindo controlar minhas urgências. Então, de repente, me vi devorar uma barra inteira de chocolate ao leite em menos de meia hora. Eu não sei como explicar uma Compulsão, mas como esse é um tema frequente entre os blogs que eu sigo, não irei me ater à isso. Vocês sabem bem como é que ela funciona. Infelizmente não consegui parar nesse chocolate e meu saldo de ontem acabou sendo: duas barras de chocolate, um pacote de amendoim e diversos pães. Antes de ir dormir me sentindo um lixo, resolvi tomar um laxante forte, naquela tentativa de tentar amenizar alguma coisa. Tomei logo dois de uma vez e a sensação de alívio após eles fazerem efeito não passou despercebida – olá, Mia.

O plano de ontem era sair para jantar, portanto adiantei a minha pesagem e, como esperado, o número na balança subiu. Ao invés de perder 600g nessa semana, ganhei 200g e, assim, fechei o mês com 800g à mais que o planejado. Talvez tenha sido essa a gota final para a compulsão. Irônico, não? Novamente, numa tentativa de não perder a sanidade mental, tentei racionalizar sobre esses resultados. Como a minha meta para o mês de Outubro é de apenas 2kg, fiz alguns ajustes nas semanas que estão por vir e, se tudo ocorrer como o planejado, irei atingir a meta que estava prevista para hoje daqui uma semana e meia. Não está longe, eu sei. Mas e quanto a compulsão? Será que ela já foi embora? Eu realmente não sei como ela foi aparecer e isso me deixa desesperada. A minha dieta não está restritiva, o que é algo que geralmente aciona compulsões; não estou passando por nada que me cause uma ansiedade maior que a de costume; e eu estava tendo dias bons, o que estava me mantendo feliz e motivada com as minhas metas. Eu não sei o que está acontecendo e isso me assusta. Como não consigo ver onde está o problema, não sei o que fazer para mudar. Decidi, então, tomar duas medidas para não me sentir pressionada durante esse mês: a primeira foi o reajuste das minhas metas –  apenas para o mês de Outubro; e a segunda foi a de aumentar um pouco minhas calorias diárias – se a comida está boa, talvez as quantidades sejam o problema.

Eu devo dar uma diminuída nas postagens até eu reorganizar a minha vida, mas continuarei vindo aqui para acompanhar como vocês estão. Por favor, não me abandonem.

E, visto o propósito do blog, sinto a necessidade de dizer uma última coisa antes de me despedir: ontem eu comprei a minha primeira lâmina.

Com aquele amor de sempre, Valentina.

Did You Say “Relapse”?

Depois daquela semana pesada em que comi doces quase todos os dias, achei que tivesse passado a pior parte da vontade louca de comer – me recuso a chamar de Compulsão e deixar essa doença me dominar novamente -, mas eu estava enganada.

O episódio ocorrido no Domingo foi bem parecido com um que eu contei aqui há duas semanas. Foi daqueles em que eu estava bem, mas após comer uma comida com um sabor diferente, eu simplesmente surtei. Nesse caso, o gatilho foi uma torta integral de banana. A situação toda foi tão ridícula, tão irônica, que cheguei a rir. Não tinha comida em casa, então decidi pedir algo pelo IFood. Meu primeiro pensamento foi “Hambúrguer, fritas, coca e algo com chocolate”, mas então respirei fundo e decidi pedir algo mais saudável – ceasar salad, sanduíche de filé de frango com queijo minas, suco de maracujá e a dita cuja da torta integral.

Não que a torta fosse ruim, mas era um doce diferente. Para mim, se não tiver chocolate, não é sobremesa! Eu preciso de cacau, mas cismo em tentar buscar fontes diferentes de açúcar. E sim, eu quebro a cara todas as vezes. No Domingo, após comer tudo isso aí que eu listei, senti que algo não estava legal, que algo estava errado. Quando vi, minha mente já estava gritando por amendoim e chocolate – sim, essas são as minhas comidas principais em momentos de descontrole. Resultado: comi 1/3 de um pacote de amendoim e 2/5 de uma barra de chocolate ao leite.

Se eu fosse parar para comparar a quantia que comi com a que eu costumava comer, estaria linda e maravilhosa comemorando essa evolução, porque antigamente eu teria comido o pacote de amendoim e a barra de chocolate. Tudo junto, de uma vez só. Mas não é esse o ponto que eu quero chegar. O que me abalou não foi a quantia, mas sim o descontrole. Foi tudo tão rápido, tão sem pensar… E quando dei por mim, lá estava eu indo tomar laxante – meu novo vício, sinto em dizer.

Bom, assim como fiz naquela vez, decidi me punir. Me fez bem antes e espero que faça agora de novo. Determinei três regras para me manter mais na linha durante esse período e já comecei a segui-las ontem mesmo. Na Sexta eu finalizo e no Sábado será a pesagem final para ver a evolução tanto da punição, quanto do mês. Apenas fiquei triste por não ter lembrado de me pesar ontem pela manhã. Na última vez eu perdi 1,1kg, mas nessa eu não vou ter certeza quanto aos números. Mas ok, vou focar nas três regras e deixar esse esquecimento de lado.

Tentando recuperar o controle, Valentina.

Five

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E hoje foi mais um dia de pesagem.

Como não foi pesagem mensal, não foi a oficial – aquela em que eu obrigatoriamente deveria cumprir com a meta pré-estabelecida -, então eu apenas tinha uma ideia de quanto deveria estar pesando para que na próxima semana não ficasse faltando algo “impossível”. 60,5kg era meu número do dia e foi com ele na cabeça que eu subi na balança.

Essa semana foi bastante complicada, pois a minha vontade por doces estava enorme. Conforme a semana foi passando eu fui sentindo meu controle se enfraquecer, de pouquinho em pouquinho, dia após dia. Eu estava com medo. Cada vez que ia na cozinha pegar um chocolate um pensamento se repetia em minha cabeça “Será mesmo TPM ou é você se tornando fraca novamente?”. Não vou me arrastar aqui nesses sentimentos porque já fiz um post sobre isso, mas vou ressaltar que a dúvida ainda está comigo, pois eu tomei um remédio no mês passado que alterou meu ciclo menstrual e até agora a maldita M não chegou. Esse medo ainda está presente, pois não sei quantos dias o P (de “pré”) em TPM pode durar.

Na Quinta meus pais me chamaram para ir comer fora e, mesmo eu insistindo que precisava ficar em casa e estudar, eles me arrastaram com eles. Fomos em um restaurante mexicano e tentei pedir algo saudável, mas o cardápio simplesmente não colaborou. Então decidi escolher alguma coisa que fosse bem simples – um T-Bone acompanhado de batatas alguma coisa. Quando todos tínhamos acabado nossos pratos, minha mãe pediu uma sobremesa para dividirmos e eu nem se quer hesitei em comer. Era um prato divino de churros sem recheio, acompanhado de sorvete, um pote de doce de leite e um pote de chocolate derretido. Comi dois churros (tinham oito na porção) bem mergulhados nesses acompanhamentos e fomos pra casa.

Sexta acordei com uma dor terrível na barriga. Cólicas e mais cólicas. Por mais que o churros fosse bem feito – super sequinho e sem aquele óleo nojento dessas barraquinhas de rua -, acho que foi demais para meu estômago que estava há semanas comendo de maneira mais saudável. Tomei laxante para tentar me livrar logo das cólicas e por um momento cheguei a ficar melhor, mas as cólicas voltaram com tudo pela tarde e nem meu aeróbico eu consegui fazer. Tentei não me martirizar por isso e fui dormir.

Acordei hoje bem cedo por conta das cólicas – que até agora não me deram trégua – e, mesmo com medo, fui me pesar. Confesso que fiquei alguns segundos em cima da balança sem acreditar no que estava vendo. Eu consegui, princesas. Mesmo com todas essas dificuldades que me atormentaram durante essa semana, eu consegui. Atingi minha meta semanal! Mas, mais do que isso: ontem eu completei um mês de dieta e mal consigo acreditar em tudo o que consegui conquistar em tão pouco tempo. Cinco quilos eliminados. Sim, CINCO! Eu nunca tive uma perda tão grande em um espaço de tempo tão pequeno. Nem consigo me expressar direito sobre como estou me sentindo agora, mas acho que todas vocês conseguem ter uma certa noção.

Setembro ainda não acabou, o que significa que eu ainda tenho uma meta – a minha primeira grande meta – a cumprir. Falta eliminar 600g e eu tenho uma semana para conseguir isso. Amanhã eu tenho um aniversário para ir, o que significa que comerei salgadinhos, docinhos e bolo, mas mesmo assim estou confiante. E como só tenho mais uma semana até minha primeira meta, farei algo que não faço nunca: me pesarei duas vezes essa semana. Isso porquê somado à dor estomacal, meu intestino resolveu funcionar, então estou com certo receio de que eu venha a recuperar um pouco de peso no começo dessa semana quando meu corpo voltar ao estado normal dele. Portanto, me pesarei na Quarta para ver como as coisas estão indo e depois no Sábado, quando acabar o mês.

Me desculpem por ter detalhado tanto a minha semana, mas eu gosto de contextos. Não gosto de publicar coisas soltas e me despedir. Acho que vir aqui e fazer um post do estilo “Oba, perdi 5kg! Agora vai! Beijos” é desnecessário e não combina comigo. Odeio coisas superficiais.

Com amor, Valentina.

Getting Things Off My Chest

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Quarta passada eu saí para jantar com uma amiga. Comi bem mais do que comeria se tivesse jantado em casa, mas foram só coisas saudáveis – frango grelhado, legumes e batata doce. Comi quase meio quilo de frango, mas tentei focar no “foram só coisas saudáveis”. No final do jantar me veio uma vontade louca de comer doces, daquelas vontades que te consomem. Saí do restaurante e fui comprar um daqueles brownies que estão na moda agora. Escolhi um do Luiz, recheado de creme de avelã. Não achei lá grande coisa, mas comi até o final. Mais uma vez tentei me convencer de que estava tudo certo e fui para casa. No dia seguinte eu estava extremamente irritada e, então, me veio a resposta: TPM! Fiquei mais calma e por dois dias esqueci da existência de chocolates. No Sábado comprei mais um brownie, dessa vez um mais saudável – e felizmente mais saboroso -, mas ainda assim um brownie. No Domingo, mais doces – dois mini croassaint de chocolate. E ontem, Segunda, comi metade de um petit gâteau – que, aliás, estava com um gosto estranho e eu logo corri até cozinha para jogar fora a outra metade, porque eu sou dessas que não importa se está bom ou não, se for chocolate, eu como.

Acho que a pior coisa foi eu ter conseguido atingir a minha meta semanal no sábado, pois me deu levou ao pensamento de “Ah, então comer um doce durante a semana não vai me atrapalhar em nada”. Como eu já faço uma refeição off todos os finais de semana  – nessa eu escolhi um hambúrguer com fritas e coca e aquele segundo brownie de sobremesa. Não me arrependo de nenhuma caloria se quer dessa refeição que fiz, mas ter comido chocolate ontem está me assombrando até agora. Será mesmo culpa da TPM? Ou será que estou perdendo o controle novamente? Estou com tanto medo. Não quero ganhar de novo tudo o que consegui perder até agora. Eu estava tão feliz, tão forte… Espero, com toda minha alma, que sejam apenas meus hormônios se rebelando, porque se todos esses doces extras forem culpa minha, e apenas minha, não sei se terei forças para me levantar mais uma vez.

Com o coração apertado, Valentina.

About V

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Hoje eu decidi vir falar um pouco sobre mim.

Meu nome é Valentina e tenho 19 anos. Nasci em Porto Alegre, mas me mudei para o Rio de Janeiro quando tinha sete anos. Na época, eu lembro de ter ficado arrasada com a mudança, pois eu era muito próxima das minhas primas, mas deixamos os parentes para trás e viemos todos – eu, minha mãe e meu pai – para o Rio. Vou começar, então, falando sobre esses parentes.

Meu histórico familiar com relação à peso é um desastre: tenho dois tios obesos e duas tias que estão quase lá. Meus pais não tão são gordos quanto eles, mas são gordos. Meu pai tem barriga de grávida, bem redonda e dura, já minha mãe tem a barriga (e braços, e pernas e bunda) bem flácida. Num outro estremo tenho duas primas que são, por falta de adjetivo melhor, perfeitas, e as duas o são de modos diferentes: uma, de 21 anos, é daquelas que come pouco, mas só come porcaria. Não pisa dentro de academia e mal levanta do sofá. O resultado disso é um corpo maravilhoso, cheio de curvas nos lugares certos. Veste 36/38 e fica divina em cada uma das centenas de roupas que possui; a segunda, de 17 anos, se exercita com regularidade, é extremamente magra e se alimenta relativamente bem. Come coisas saudáveis durante a semana e se deixa comer e beber o que quiser no final de semana. Ela, apesar de não ser Ana, tem os ossos bem saltados, e veste 34/36, ficando também maravilhosa em tudo. Resumo dessa ópera maravilhosa: meus pais são o casal magro da família e eu sou a filha gorda.

“Gorda” é uma definição que me deram não tem muito tempo – uns dois anos, mais ou menos. Eu sempre me mantive num peso bom, não passava de 50kg, quando chegava à isso. Mas no meu último ano do Ensino Médio, por conta da pressão das provas de vestibular, comecei a comer mais do que de costume e, em seis meses, ganhei 5kg. Foi aí que todo terror psicológico começou. De início, eu também estava assustada com o meu peso e queria perdê-lo, mas as críticas vieram de uma forma tão intensa e violenta que a minha reação foi a de comer mais e mais, chegando à 60kg no final de 2014. Acho que o pior desse ano todo foi a maneira como ele encerrou. Lembro perfeitamente do meu pai me dizendo “Filha, não tem problema você não ter entrado na faculdade, mas você não pode ser gorda”. É, as prioridades aqui em casa são bem distorcidas. 2015 começou e eu entrei num curso de Pré-Vestibular, mas dessa vez meu peso subiu mais rapidamente que no ano anterior. Ganhei 10kg no primeiro semestre, e mantive esse peso até o final de Agosto de 2016. Nesse meio tempo fui à vários nutricionistas e tentei seguir diferentes dietas, mas as compulsões sempre me encontravam. Foi tudo muito rápido e, quando me dei por mim, estava pesando mais de 70kg. (O máximo que cheguei a ver na balança foi 69,4kg, porque depois disso parei de me pesar. Acredito que tenha chegado perto de 75kg.)

Os últimos dois anos foram incrivelmente difíceis para mim, especialmente durante as férias de meio e final de ano. Sempre retornamos à Porto Alegre para visitar nossos parentes, e as últimas cinco viagens foram verdadeiras torturas para mim. Discursos e mais discursos sobre como eu deveria emagrecer, sobre como eu não poderia comer muito e sobre como eu aceitava estar naquela situação, visto que minhas primas são tão lindas e magras. Então, durante as viagens, eu acabava comendo muito, me sentindo culpada e me achando horrível perto das minhas primas – e de todos os outros parentes que sempre que me vêem me lançam um olhar de “Nossa, como ela engordou”. Realmente, minha férias têm sido muito relaxantes. Volto revigorada.

Foi, e ainda é, muito difícil a convivência dentro da minha casa. Eu vivo cercada por um ambiente hostil, onde cada vez que vou à cozinha coincidentemente um dos meus pais resolve ir beber água, como se eu fosse idiota o bastante para não perceber que eles estão me sondando, monitorando à todo momento o que eu estou comendo. Mas o legal disso tudo é a hipocrisia da coisa. Eles pregam um discurso de que eu tenho que ser saudável, me alimentar bem e me exercitar com regularidade, quando, ao mesmo tempo, os dois tomam remédios fortíssimos para controlar o peso e mal levantam do sofá. Eles não fazem dieta e nem se exercitam, mas ai de mim se eu não os fizer! A gordofobia aqui em casa é enorme e dói. Dói muito.

Durante todo esse tempo eu recusava a me cuidar de propósito. Queria machucar meus pais da mesma forma que eles me machucavam. Quanto mais eles gritavam, mais eu comia. Até que, no final de 2015, depois de me ver nas fotos das férias de final de ano, eu entrei em desespero, finalmente percebendo o tamanho que tinha ficado. (E ainda estou, aliás.) Eu comecei o ano com 67kg e alguma coisa, e fiz tudo direito por alguns meses – comi bem e me exercitei -, até que Maio chegou e as compulsões voltaram com força total. Fiquei de Maio até Agosto tendo compulsões e mais compulsões e foi, então, que eu conheci a Ana. Hoje, graças à ajuda dela, eu já consegui baixar meu peso para 61,2kg (4,2kg em menos de um mês), e sei que de agora em diante esse número só irá baixar. E sim, eu tenho isso como uma certeza, pois esse novo universo que eu encontrei e decidi fazer parte – essa combinação de Ana e de relatos de pessoas que estão passando pela mesma situação que eu -, têm me ajudado muito. Há tempos que não me sinto tão forte. Mais que isso, há tempos que não me sinto tão bem-vinda.

Gostaria, então, de agradecer à todas as princesas que tem passado por aqui e deixado algum comentário acolhedor. Vocês têm sido essencial para mim. Muitíssimo obrigada.

Com muito amor, Valentina.